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Seus direitos

Como escolher o melhor plano de saúde e escapar de ilegalidades

· atualizado em · 1151 palavras

Mulher assinando contrato de plano de saúde com apoio de um corretor

Este artigo incorpora dicas publicadas originalmente por Brasil Econômico em 21/09/2016, atualizadas e complementadas com o contexto regulatório vigente.

Especialistas dão dicas para consumidores que desejam contratar um plano e não sabem o que devem considerar. Saiba também quais são os seus direitos quando a operadora comete abusos.

Segundo pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, ter um plano de saúde é o terceiro maior desejo da população brasileira, ficando atrás apenas de "educação" e "casa própria". O levantamento contou com a participação de 3,2 mil pessoas entre beneficiários e não beneficiários, de oito regiões metropolitanas do país — incluindo Manaus.

Os cortes nos gastos são, muitas vezes, inevitáveis em momentos de crise econômica, mas o velho ditado de que não se brinca com a saúde deve ser considerado. Diante de um sistema público sobrecarregado, o plano de saúde pode trazer mais tranquilidade, principalmente em casos de emergência.

Quatro pontos antes de contratar

1. Histórico de saúde

Antes de contratar, é fundamental avaliar as suas necessidades reais, levando em conta idade, hábitos e histórico de saúde. Essa avaliação evita dois erros opostos: pagar por serviços que você não vai usar e ficar sem uma cobertura que virá a ser de extrema necessidade.

Na prática, é a diferença entre contratar obstetrícia porque se planeja ter filhos e contratar abrangência nacional "por garantia" sem nunca sair do estado.

2. Informações — declare tudo

O consumidor deve, impreterivelmente, declarar à operadora se possui alguma doença preexistente ou algum hábito nocivo à saúde, como o tabagismo.

A omissão parece economia e é risco. Ela dá à operadora base legal para cancelar a cobertura ou o contrato inteiro por fraude — normalmente no momento em que você mais precisa usar. Declarar leva, no máximo, à cobertura parcial temporária, que é temporária e limitada àquela condição.

3. Corretor

O corretor é o profissional indicado para auxiliar o cliente a encontrar a cobertura adequada ao seu perfil, já que conhece as diferenças entre os planos e reduz o leque de opções para as que realmente interessam.

Vale lembrar que a corretora é remunerada pela operadora, não pelo cliente. A assessoria não encarece o plano.

4. Confiabilidade da operadora

Antes de fechar negócio, procure o número de registro da operadora no site da ANS. Ali é possível checar o desempenho da empresa, o histórico e a posição na lista das que mais recebem reclamações de consumidores.

No portal da agência o beneficiário também confere seus direitos quanto a reajuste, portabilidade, exames e consultas obrigatórias para cada tipo de cobertura.

E se, depois de escolher, eu sofrer abusos?

Infelizmente, muitos consumidores enfrentam ilegalidades cometidas por operadoras. As mais comuns são três.

Negativa de atendimento

É prática ilegal informar ao paciente que não haverá pagamento de uma prótese, que uma cirurgia não será permitida ou alegar custo excessivo para não autorizar internação de emergência.

A lei determina que a cobertura em casos de emergência com risco imediato de vida ou de lesões irreparáveis é obrigatória. Ao se negar a cumprir a legislação, a operadora incorre em prática ilegal.

Em planos antigos, a obrigatoriedade de cobertura é garantida pela Lei 9.656/98 e por súmulas dos tribunais, que asseguram atendimento das doenças listadas pela Organização Mundial de Saúde, abrangendo próteses, medicamentos e materiais durante a internação. Desde 2014, todos os planos são obrigados a fornecer medicamentos orais contra o câncer para uso domiciliar.

O caminho completo para contestar está em o que fazer quando o plano nega.

Aumentos abusivos

O valor das parcelas é definido conforme a data de assinatura do contrato. Contratos assinados até 1999 podem sofrer apenas um reajuste anual, baseado em índice oficial de inflação. Para contratos posteriores a janeiro de 1999, a ANS fixa o limite dos aumentos dos planos individuais e determina as condições dos reajustes.

Os idosos têm sido vítimas frequentes de aumentos além do estipulado, sob o argumento de que os serviços encarecem com a idade. Os tribunais têm rechaçado a prática, amparados pelo Estatuto do Idoso, em vigor desde 2004, que proíbe cobrar a mais do consumidor com mais de 60 anos por mudança de faixa etária.

Veja em detalhe quando o reajuste é abusivo e o que fazer.

Sinistralidade

Outro problema comum é o encarecimento por sinistralidade. Na prática, quanto mais a pessoa usa os serviços a que tem direito, mais penalizada ela é. A lógica de cobrar mais de quem usa, sem demonstração clara dos custos que originaram a cobrança, é ilegal e também tem sido derrubada judicialmente.

Vale a distinção: em contratos coletivos, o reajuste por sinistralidade do grupo é previsto — o que não se admite é a cobrança individualizada contra quem usou, nem o reajuste sem memória de cálculo.

Como conferir a rede credenciada antes de assinar

É a etapa que mais gente pula e a que mais determina se o plano vai ser bom no dia a dia. Rede credenciada não se avalia pelo tamanho da lista, e sim pela presença do que você usa.

  1. Liste o que importa para você antes de olhar qualquer proposta: o hospital onde você quer ser atendido em emergência, o laboratório perto de casa ou do trabalho, e os especialistas que você já acompanha.
  2. Consulte a rede no site da operadora, não no material do vendedor. Filtre por Manaus e pela segmentação que você vai contratar.
  3. Confirme a acomodação. Alguns hospitais atendem o plano de apartamento mas não o de enfermaria — veja por quê.
  4. Peça a data da consulta por escrito. Rede credenciada muda: hospitais saem e entram. Ter registro do que foi prometido ajuda se a rede mudar logo depois da contratação.

A operadora pode descredenciar um hospital? Pode, mas há regras: em caso de descredenciamento de entidade hospitalar, ela precisa ser substituída por outra equivalente e a ANS deve ser comunicada. Se o hospital que motivou a sua escolha saiu da rede, isso pode justificar uma portabilidade.

Cinco erros de quem contrata pela primeira vez

  • Comparar só a mensalidade. Duas propostas com valor parecido podem ter redes e coberturas completamente diferentes.
  • Escolher a segmentação errada. Contratar ambulatorial e descobrir na internação que não há cobertura.
  • Ignorar a próxima faixa etária. O plano cabe no orçamento hoje e deixa de caber daqui a dois anos.
  • Não declarar condição de saúde, achando que economiza carência.
  • Cancelar o plano antigo antes de o novo estar vigente, perdendo o direito à portabilidade e recomeçando todas as carências.

Um roteiro prático para decidir

  1. Defina o perfil: quem vai usar, e para quê. O quiz ajuda.
  2. Escolha a segmentação — com ou sem obstetrícia, ambulatorial ou hospitalar.
  3. Liste os hospitais e laboratórios de Manaus que você quer ter acesso.
  4. Decida a acomodação.
  5. Compare propostas nos seis fatores que formam o preço.
  6. Confira o registro da operadora na ANS.
  7. Leia a declaração de saúde com calma e declare tudo.

Fonte original das dicas: economia.ig.com.br.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre este assunto

Como escolher o melhor plano de saúde?

Comece pela sua necessidade real: idade, hábitos e histórico de saúde. Depois confira quais hospitais e laboratórios estão credenciados perto de você, e só então compare preços. O plano mais barato com rede que você não usa é o mais caro na prática.

Preciso declarar doenças que já tenho?

Sim, obrigatoriamente. A omissão pode implicar cancelamento da cobertura ou do contrato inteiro por fraude, geralmente no momento em que você precisa usar o plano.

Como saber se a operadora é confiável?

Procure o número de registro da operadora no site da ANS. Lá é possível checar o desempenho da empresa e a posição na lista das que mais recebem reclamações de consumidores.

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